IRINA ABASHEVA Real Estate • Portugal
Para quem vai vender e comprar outra casa

Como vender a sua casa e comprar outra sem ficar sem casa

Três formas de mudar de casa em Portugal

A casa onde vive começou a ficar pequena. Talvez precise de mais espaço, queira mudar de zona ou procure uma casa que faça mais sentido para a sua família. Mas surge logo a dúvida: vende primeiro e depois procura, ou encontra a próxima casa e espera vender a atual a tempo?

Não existe uma resposta igual para toda a gente. Depende das poupanças, do crédito habitação e da margem que tem para lidar com imprevistos. Estes são os três cenários que costumo analisar antes de colocar um imóvel à venda.

Antes de mais, faça as contas à próxima compra

O preço pelo qual gostaria de vender a casa é apenas o ponto de partida. O que interessa é perceber quanto ficará disponível depois de liquidar o crédito, se existir, e pagar os custos da venda. Depois, é preciso comparar esse valor com o preço da próxima casa, os impostos e as despesas de aquisição.

Se precisar de financiamento, vale a pena falar antecipadamente com o banco ou com um intermediário de crédito. Assim percebe quais são as opções reais e quais apenas parecem possíveis no papel.

Vender primeiro e comprar depois

Faz sentido quando precisa do dinheiro da venda da casa atual para comprar a seguinte. Vende, fica a saber qual é o orçamento disponível e avança para a procura.

Ainda assim, convém estudar o mercado da próxima casa com antecedência. É importante saber quanto custam os imóveis adequados e com que frequência aparecem. Pode tentar negociar com o comprador uma entrega das chaves mais tardia, mas esse acordo deve ficar claramente documentado.

A vantagem: sabe com que orçamento conta e evita suportar os encargos de duas casas ao mesmo tempo.

O risco: pode não encontrar a casa certa a tempo. É sensato prever uma solução temporária para morar.

Comprar primeiro e vender depois

Pode ser uma opção se tiver capitais próprios suficientes ou se o banco aceitar financiar a nova compra antes da venda da casa atual. Permite escolher com mais calma, sem a pressão de ter de sair imediatamente da sua habitação.

Antes de assumir compromissos, confirme a entrada inicial, os impostos, a avaliação bancária e a capacidade de suportar, durante algum tempo, os custos das duas casas. Uma pré-aprovação de crédito não dispensa as verificações posteriores do banco.

A vantagem: consegue organizar a mudança com tranquilidade, sem recorrer a alojamento temporário.

O risco: a venda pode demorar e os encargos de duas casas tornarem-se pesados.

Preparar a venda e a compra em paralelo

Neste caso, prepara-se a casa atual para venda enquanto se procura a próxima. O objetivo é coordenar as datas das duas operações.

É o cenário que exige mais atenção aos prazos. CPCV, financiamento, escrituras e entrega das chaves precisam de ser articulados. Convém que um advogado reveja as cláusulas e o que acontece se houver atrasos do banco ou de outra parte. Não é possível garantir que todas as datas coincidam.

A vantagem: em alguns casos, consegue reduzir o intervalo entre a venda e a mudança.

O risco: sem um plano alternativo, um atraso numa das operações pode comprometer a outra.

Cinco perguntas que faria antes de começar

  • Por quanto é realista vender a casa, e não apenas anunciá-la?
  • Quanto ficará disponível depois de liquidar o crédito e pagar as despesas?
  • Quanto custa a casa que pretende comprar?
  • Vai precisar de novo crédito habitação?
  • O que fará se uma das operações sofrer um atraso?

Porque não começo pelo anúncio

Criar um anúncio é relativamente simples. O trabalho mais importante costuma estar antes: definir o preço, verificar documentos, preparar a casa e perceber como a venda se vai articular com a compra seguinte. Quando estas decisões ficam para depois, surgem frequentemente na pior altura.

Por isso, antes de colocar o imóvel no mercado, defino com o proprietário a sequência dos passos, confirmo a preparação do imóvel com os profissionais necessários, organizo a apresentação e converso sobre prazos realistas. Depois da publicação, podemos concentrar-nos nos compradores, nas visitas e na negociação.

Não é uma promessa de venda num número fixo de dias. É uma forma de tornar a mudança de casa mais clara e organizada.

Perguntas que ouço muitas vezes

Para já, só queremos saber por quanto conseguimos vender.

Claro, é um bom ponto de partida. Mas esse valor é muito mais útil quando sabemos quanto será necessário para a próxima compra e se o preço definido permite atrair compradores sem perder meses.

Podemos colocar o anúncio por nossa conta.

Podem, naturalmente. A questão não é quem carrega no botão de publicar. O trabalho mais exigente está na preparação, na documentação, na forma de apresentar o imóvel, na avaliação do interesse dos compradores e na negociação.

Temos receio de vender e ficar sem casa.

É precisamente por isso que prefiro começar pelo planeamento da mudança. Analisamos o mercado da próxima casa, o financiamento, os prazos de entrega e uma solução alternativa. O risco não desaparece, mas as decisões são tomadas sem a pressão de última hora.